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O Bom Pastor e as ovelhas desse e de outros apriscos

O Bom Pastor e as ovelhas desse e de outros apriscos

No Evangelho Segundo São João 10, 7-18 lemos: “O Senhor é meu amparo. Nele encontro toda a verdadeira consolação. Sei que ainda sou cego e muitas vezes me desvio, mas "O Senhor é bom pastor" e se peço ajuda com fé, devoção e humildade, a claridade do entendimento me leva de volta ao caminho”.

Então, o que devo fazer para não mais me desviar? Essa é a pergunta de todo o aspirante a vida espiritual e a resposta é sempre a mesma: amar seus semelhantes de maneira que queira sempre ajudá-los e servi-los com amor, sabendo que todos somos filhos de Deus; procurar fazer sempre o bem pelo simples prazer de fazer o bem, cooperando assim com o trabalho do Cristo pela redenção da humanidade.

Porém, se Deus faz nascer o sol para o justo e para o injusto; se Ele mora no coração de todo ser, mesmo naqueles que não O ama; quem somos nós para fazer menos? Devemos, portanto, fazer com que o nosso amor e a nossa Luz chegue a cada irmão, para que com o nosso exemplo, possamos fazê-lo retornar ao caminho que o leva a Deus. Esse caminho reto e estreito, para cima e para frente. Cristo, nessa passagem, nos dá o motivo pelo qual Ele é "a verdadeira Luz".

Façamos, agora, uma viagem a um longínquo passado no nosso caminho evolutivo. Atualmente estamos no quarto período do nosso esquema de evolução, o Período Terrestre. Como todos os outros Períodos, este tem 7 Globos (nomeados de A, B, C, D, E, F e G), por onde nós passamos 7 vezes (também chamado de 7 Revoluções). Durante a nossa peregrinação pela quarta Revolução no Globo D, tivemos mais divisões no nosso caminho de evolução. Tais divisões são conhecidas como Épocas. Estamos na quinta Época, conhecida como Época Ária.

Na primeira Época, a Época Polar, nós formamos, por assim dizer, nosso Corpo Denso. Na segunda Época, a Época Hiperbórea, nós vitalizamos esse Corpo Denso por meio da interpenetração de um Corpo Vital. Com isso, na segunda Época, nós possuíamos um Corpo Denso e um Corpo Vital. Éramos hermafroditas, ou seja, éramos uma unidade criadora. Toda nossa força criadora nós projetávamos de nós mesmos. Nada guardávamos para nós. Expressávamos o amor na forma mais pura, como os Anjos o fazem.

Com o decorrer do tempo, houve a necessidade de construirmos um cérebro e uma laringe. Para isso, foi necessária uma divisão da bipolar força criadora: metade foi destinada para a construção destes novos órgãos e a outra metade continuou sendo usada para a geração. A partir daí cada um de nós teve que buscar a cooperação de outro ser para a geração. (Houve a divisão dos sexos seu polo oposto: se encarnado como homem, buscava quem estava encarnado como mulher, e vice-versa).

Começamos a amar egoisticamente para gerar novos corpos e a amar egoisticamente também para pensar, porque desejamos obter conhecimento. E como semelhante atrai o semelhante, atraímos para nós mesmos seres de mesma natureza.

Como em toda onda de vida, a onda dos Anjos também possuía uma classe de seres atrasados, conhecidos como Espíritos Lucíferos, Anjos Lucíferos ou, ainda, Anjos caídos. Os Anjos fazem parte de uma onda de vida que não necessita de cérebro para obter o conhecimento. Porém, esses atrasados precisavam e, o pior, não tinha a capacidade de construir um. Estavam a meio caminho entre os Anjos e o ser humano. Eram os Espíritos Lucíferos. Então, quando desenvolvemos um cérebro esses seres perceberam uma oportunidade de prosseguir a sua evolução. Precisavam descobrir como penetrar no cérebro humano.

Enquanto isso, nós prosseguíamos no nosso esquema de evolução. Estávamos na terceira Época, a Época Lemúrica. Não tínhamos a menor consciência do nosso Corpo Denso. Nossa consciência não apresentava o nível da atual de desenvolvimento ou consciência de vigília na Região Química do Mundo Físico. Quando encarnados como seres do sexo feminino, éramos estimulados a expressar o polo negativo da força criadora, a imaginação. É graças à imaginação que, quando encarnados como seres do sexo feminino – mulher – conseguimos formar um corpo em sua matriz.

Naquela Época toda a nossa consciência estava enfocada nos mundos espirituais. Quando encarnávamos como seres do sexo feminino, observávamos, ainda que muito vagamente, que nós e os outros seres humanos possuíamos um Corpo Denso e, que muitas vezes, os que estavam ao seu redor perdiam esse corpo; isso a confundia muito. A imperfeita percepção do Mundo Físico nos impossibilitava de revelar aos outros que eles haviam perdidos seus Corpos Densos!

Os Anjos não nos davam informações sobre o porquê desta imperfeita percepção. Foi aí que surgiram os Espíritos Lucíferos. Esses seres entraram pela coluna vertebral até próximo ao cérebro quando encarnávamos como seres do sexo feminino – mulher. Contou-nos o que acontecia, tornando-nos consciente do nosso Corpo Denso. Pediu-nos, quando encarnávamos como seres do sexo feminino – mulher – para falarmos aos seres do sexo masculino – homem – e ensinou-nos como, juntos, podíamos criar novos corpos quando quiséssemos. Por causa da consciência interna, voltada aos mundos espirituais e, também, porque os Espíritos Lucíferos tinham entrado pela medula espinhal, enquanto encarnávamos como seres do sexo feminino – mulher – nós vimos estes espíritos associando-os como serpentes. A partir daí nós tomamos para nós mesmos o direito de praticar o ato gerador a nossa vontade, ignorantemente. Comemos o fruto da "Árvore do Conhecimento" e conhecemos o bem e o mal. E mediante o contínuo abuso dessa força criadora, chegando à degeneração, a nossa consciência ficou tão enfocada no Mundo Físico que hoje, uma boa parte de nós considera essa vida terrestre como a única e tememos a morte por desconhecer o que há do outro lado.

Se, por um lado deixamos de ser um autômato, convertendo-nos num ser que pensa, por outro tornamo-nos sujeito a tristeza, dor e morte, vivemos em peregrinação sem paz e sem tranquilidade.

Cristo veio ao mundo para salvar-nos do pecado, da tristeza e morte. “Rasgou o véu do templo” e abriu a iniciação para todos que quiserem. Todos, agora, têm acesso aos mistérios ocultos e podem conhecer todo o esquema evolutivo!

Assim, Ele chamou a si mesmo de a "verdadeira Luz". Aos que vieram antes dele, chamou de “ladrões e bandidos” por que roubaram de nós a paz, tranquilidade e visão espiritual!

Vejamos, agora, a revelação da simbologia presente nestes versículos: “Como o Pai me conhece, assim Eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas minhas ovelhas. Tenho outras ovelhas que não são desse aprisco; importa que eu as trouxesse. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor" (Joa 10; 15-16).

Com estas palavras Cristo nos revela, em símbolos, a amplitude da sua obra: a FRATERNIDADE UNIVERSAL!

No seu lar celestial, que é o Mundo do Espírito de Vida, Cristo executa a primeira parte da sua obra. O Mundo do Espírito de Vida é o mundo que se difunde pelo espaço interplanetário e interpenetra todos os estelares (planetas, estrelas e outros corpos siderais) individuais do nosso sistema solar. É o primeiro mundo, debaixo para cima, onde cessa toda a separatividade.

O veículo mais inferior que o Cristo possui, com o qual é mais acostumado a funcionar, é composto por materiais do unificante Mundo do Espírito de Vida (apesar de que, como um ser da onda de vida dos Arcanjos, Ele ter a capacidade de construir um Corpo de Desejos, mais denso do que um corpo construído de material do Mundo do Espírito de Vida).

Portanto, o trabalho específico do Cristo no sistema solar, é o de correlacionar todos os estelares e os seres vivos que neles habitam, numa Fraternidade Universal, unindo-os como irmãos, filho de Deus. Essas são as "outras ovelhas que não são desse aprisco”.

Outra parte do trabalho do Cristo ocorre quando ele alcança o Mundo do Espírito Divino, o Trono do Pai. O Mundo do Espírito Divino é o mundo que correlaciona todos os estelares de todos os sistemas solares do Universo. Nesse mundo, o trabalho do Cristo é o de correlacionar todos esses estelares e seus seres vivos numa Fraternidade Universal.

A terceira parte do trabalho do Cristo é desenvolvida aqui na Terra. Cristo como o regente do planeta e o guia da humanidade específica seu trabalho em unir-nos numa Fraternidade tendo Cristo como Irmão Maior. Quando isso ocorrer, o amor far-se-á altruísta e a Fraternidade Universal se realizará completamente e cada um trabalhará para o bem de todos. Estaremos na Sexta Época, a Época da Nova Galileia.

Atualmente, do centro do planeta Terra Ele envia o impulso para o arrependimento e a reforma íntima de cada um de nós, e graças a esse seu sacrifício anual estamos nos tornando mais puros e regenerados. Essas também são as "outras ovelhas que não são desse aprisco” e "haverá um só rebanho e um só pastor".

Note que em "eu sou a porta; se alguém entrar por mim será salvo; entrará, sairá e encontrará pastagens", temos um motivo para buscarmos sempre à consolação e o amparo divino, desapegando-nos de toda consolação exterior, baseada no próprio ser humano ou nas coisas materiais, porque “o mercenário e o que não é pastor, de quem as ovelhas não são próprias, vê vir o lobo, deixa as ovelhas, foge e o lobo arrebata, porque é necessário e porque não se importa com as ovelhas". Perceba a esperança e a segurança que o Cristo nos dá! Semelhante à outra passagem quando ele diz: "estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28; 20), então, o que falta é estarmos com ele!

Note que em "como o Pai me conhece, assim eu conheço o Pai e dou minha vida pelas minhas ovelhas" fica clara a perfeita harmonia entre o Filho e o Pai.

E a esperança e a confiança que tanto procuramos, nós podemos encontrar quando Ele disse: “Eu e o Pai somos um" (Jo, 10; 30). E realmente o Cristo dá a Sua vida pelas suas ovelhas senão vejamos o sacrifício anual que um ser com tal grau de onisciência, onipresença e onipotência se submete, ao ficar confinado às baixas e cristalizantes vibrações do nosso planeta terra, dando Sua vida, Seu amor e Sua luz para que nos possamos continuar existindo e progredindo.

Lembramos sempre que "Cristo mesmo preparou o caminho para quem o deseje” e Ele ajudará e abençoará a todo verdadeiro investigador que deseje trabalhar pela FRATERNIDADE UNIVERSAL!

                                                                                  Que as rosas floresçam em vossa cruz