Capítulo VI - A Bíblia: O Maravilhoso Livro das Épocas- Corinne Heline
| Article Index |
|---|
| Capítulo VI - A Bíblia: O Maravilhoso Livro das Épocas- Corinne Heline |
| 2 |
| 3 |
| All Pages |
Capítulo VI: A Tentação
Mateus IV: 1-11
“Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome. E, chegando-se a ele o tentador, disse: ‘Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães’. Ele, porém, respondendo, disse: ‘Está escrito:
‘Nem só de pão viverá o homem,
mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’’.
Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo, E disse-lhe: ‘Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito:
‘Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito,
e tomar-te-ão nas mãos,
para que nunca tropeces em alguma pedra’’.
Disse-lhe Jesus: ‘Também está escrito:
‘Não tentarás o Senhor teu Deus’’.
Novamente o transportou, o diabo, a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: ‘Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares’. Então disse-lhe Jesus: ‘Vai-te, Satanás, porque está escrito:
‘Ao Senhor teu Deus adorarás,
e só a ele servirás’’.
Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam”.
De todas as lições que Cristo passou no drama de Sua vida, nenhuma é mais importante do que a Tentação. Igualmente, nenhuma outra experiência é tão mal-compreendida. Em verdade, Ele foi submetido aos testes do corpo, da mente e da alma, para que pudesse deixar à raça humana um exemplo divino de inspiração incessante, d’Aquele Único Ser que foi tentado em todas as coisas e, mesmo assim, permaneceu sem pecado, conforme Paulo afirma.
A resposta dada pelo neófito frente à Tentação revela claramente o seu nível de realização no Caminho. No entanto, esta revelação não é o único propósito das provas do Caminho. As mesmas são importantes, pois permitem tanto o desenvolvimento moral, como o desenvolvimento das forças mental e espiritual, assim como o exercício físico e o labor desenvolvem a saúde e a força do Corpo Físico. Cristo Jesus deu-se a Si mesmo para servir de exemplo para nós, a fim de que pudéssemos saber a maneira exata de como sofrer a Tentação, ou provas, ou qualquer tipo de teste pertencente ao Caminho.
Assim como Jesus foi tentado logo após Seu Batismo, experiência essa que constituiu uma iniciação, o neófito também será tentado, depois de cada iluminação ou elevação no Caminho. Tais testes vêm para ele com o propósito de lhe mostrar suas próprias fraquezas. Falhas em qualquer um destes testes não significam que deverá retornar aos caminhos mundanos e desistir da busca da realização espiritual, mas significa que deverá esforçar-se ainda mais, para superar suas debilidades e defeitos e, deste modo, quando for “tentado” (ou provado) novamente, poderá permanecer firme.
Todas as tentações, ou testes, pertencem a três categorias gerais: do corpo, da alma e da mente. A Iniciação simbolizada no Batismo de Cristo Jesus, confere novos poderes da alma e da mente sobre o neófito. Tais poderes são oriundos da realização de toda a vida que é uma em Deus e, o neófito não deve jamais, usar tais poderes egoisticamente, não importa o tamanho da necessidade que enfrente. Ele somente poderá beneficiar seu próximo.
É agora que a ambição pessoal, de repente, floresce e de modo bastante inesperado, pois o neófito acreditava que havia superado todos os desejos do mundo. Ele renunciou conscientemente tais desejos insignificantes e sem real valor e sabe que tornou possível, para ele, satisfazer todos suas ambições e, deste modo, deverá depurar seus sentimentos e emoções para ter certeza que apenas o amor de Deus e para com a humanidade, motivarão suas ações. Isto não é sempre fácil de determinar, porque muitas ambições pessoais são inocentes em si mesmas, mas ao mesmo tempo, são consideradas maléficas em relação à orientação espiritual do neófito no percurso Caminho. Auto-respeito, por exemplo, é mantido, mas não pode ser confundido com vaidade ou egoísmo. O corpo é conscientemente cuidado, porque é o templo de seu deus interior, mas a saúde física e o bem estar não são o objetivo da vida; o corpo é visto como um instrumento do espírito. A alma é encorajada a apreciar as artes, os ofícios e a contemplar as belezas da Natureza, mas tudo isto é visto em relação a Deus, como sua verdadeira fonte e origem e, se entende o gênio criativo como um aspecto em si mesmo do Poder Criador da Suprema Unidade em quem o ser humano vive, se move e tem o seu ser. O intelecto deve ser treinado, e seu poder cultivado por meio da educação e da razão, mas a aquisição do conhecimento pode ser um falso deus, a menos que esteja relacionado com toda a vida; e quanto mais poderoso for o intelecto, mais será a necessidade de humildade para que a mente não fique fechada a novos aspectos da verdade e da consciência. Para o intelecto, a regra é sempre a seguinte: “Que a mente seja em você o que também foi em Cristo Jesus, que fez de Si mesmo, nenhuma reputação... e se tornou servidor de todos, até a morte”.
Essas são sutis tentações que o discípulo iluminado encontra pelo Caminho e Cristo Jesus mostra como todas devem ser enfrentadas. Ele renunciou-se completamente e entregou sua vontade ao serviço dos outros, mas com total conhecimento de Sua Divindade instaurada sempre alerta.
Cada fase sucessiva do desenvolvimento espiritual carrega uma prova especial e específica, de acordo com o temperamento e grau de espiritualidade do individuo; ainda, porém, por mais variados que possam ser os testes, o Exemplo de Cristo sempre mostra o caminho da vitória. A espiritualização da mente, por meio da completa dedicação a verdade e ao Espírito, constitui a armadura inexpugnável do neófito que não lhe protege apenas por um dia, mas por todo o tempo, pelas pequenas, insidiosas tentações da vida comum, que são as mais perigosas, na medida em que são mais difíceis de serem reconhecidas como tal. Daí, a advertência de um dos mestres da sabedoria: “Orar sem cessar”.
Transfiguração

Marcos IX, 2 - 8
“E seis dias depois Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago, e a João, e os levou, sozinhos, para um lugar retirado sobre uma alta montanha; e transfigurou-se diante deles; e as suas vestes tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas como a neve, tais como nenhum lavadeiro sobre a terra os poderia branquear. E apareceu-lhes Elias, com Moisés, e falavam com Jesus. E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Rabi, é bom estejamos aqui; e façamos três tendas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias. Pois não sabia o que dizia, porque estavam assombrados. E desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu filho amado; a ele ouvi. E, tendo olhado ao redor, ninguém mais viram, senão só Jesus com eles”.
Foi a partir da Transfiguração que o trabalho de Cristo Jesus e Sua vida na terra realmente começaram. Tendo experimentado as provas da tentação, que para Ele não foram meramente pessoais, mas experiências cósmicas, o corpo físico pelo qual Ele apareceu como um homem entre os homens foi completamente transmutado em espírito. Este corpo não foi Seu próprio corpo, mas um corpo dado pelo Mestre Jesus para Ele utilizar. Esse corpo foi o mais puro e perfeito corpo humano já produzido pela raça humana. Séculos se passaram em sua preparação, por meio de hereditariedade controlada e cuidadosa, entre as mais belas e mais fortes famílias que viveram naquelas épocas, famílias de príncipes da Casa de Davi, de quem o herdeiro do trono foi sempre chamado de Messias.
Na repentina revelação Crística, pela Glória arcangélica que estava, então, dentro do corpo do Mestre Jesus, os discípulos souberam que estavam na presença de um Poder Cósmico. Anteriormente, outros iniciados também contemplaram da mesma Glória, mas longe do Sol, ou em ocasiões raras como a Presença arcangélica no templo ou em locais sagrados da terra, tais como o Campo de Ardat de Babilônia ou Monte Sinai e outros.
Certos iniciados que estavam vivendo em outros lugares do mundo, estavam também conscientes da Presença no Monte da Transfiguração na Galiléia. Mas estes três discípulos, Pedro, Tiago e João, viram a Glória diretamente juntos a eles, ajoelharam-se e foram envolvidos por ela, imediatamente. Foi à mesma Glória Solar, conhecida por todos os Iniciados de todas as Escolas de Mistérios, tanto no Oriente como no Ocidente, mas agora brilhou como uma Luz sobre a Terra em si, não uma Luz do astro solar sozinho. Nos últimos séculos, os Iniciados contemplariam, novamente, esta Glória no Sol e experimentariam Sua Imagem projetada na Terra, onde seu “Raio” concentrou e inflamou.
Foi o Cristo Cósmico, localizado no meio da Glória Solar, que ensinou a Seus discípulos os ministérios mais profundos da nova fé, então inerente à Era de Peixes, que eles iriam transmitir no mais íntimo dos discípulos do futuro.
De todos os Quatro Evangelhos, o Evangelho de Mateus dá a mais detalhada noção deste sublime evento. Para se entender o que é ali revelado, nós devemos compreender que Cristo vem de um lugar que nós chamamos de o Mundo do Espírito de Vida, que é outro nome dado para o Reino da Consciência Universal ou Consciência Crística. Este Mundo é o Seu lar. No monte da Transfiguração, Ele apareceu para seus três mais avançados discípulos, trajando uma vestimenta de gloriosa luz que pertence aquele alto plano celeste; os três estavam ali com Ele, em consciência, embora para a visão física, todos estavam apenas em pé sobre o plano terrestre, no que diz respeito ao corpo.
João, mais tarde, descreve este brilho transcendente da seguinte maneira: “Nós contemplamos a Sua Glória, a Glória como a do Unigênito do Pai”.
Neste mundo universal das figuras cósmicas, são encontradas imagens que pertencem ao nosso esquema inteiro de evolução, o completo e imperecível registro de tudo o que foi experimentado pelo ser humano e seus planetas, desde o alvorecer da criação; pois este é o mais elevado dos mundos que possui o Livro da Memória de Deus e no qual, os Anjos podem ler. Os discípulos foram levados, conscientemente, a este plano superior. Quando nós olhamos para o passo correspondente do Caminho, na vida do neófito, descobrimos que a Transfiguração marca um alto grau, ou uma grande realização. A essência da vida conservada e transmutada dentro do corpo, verdadeiramente ilumina com radiação espiritual, que é uma luz na escuridão, significa sabedoria no meio da ignorância. Ele compreende, de uma maneira nova e diferente, as palavras ditas pelo maior dos três discípulos privilegiados que compartilharam o Mistério da Transfiguração com o Cristo: “Se andarmos na Luz como Ele na Luz está, seremos fraternais uns com os outros” (I Joa 1;7).
Sobre o Monte da Glória, a benção ouvida no Batismo, no início dos três anos de ministério, é ouvida novamente: “Este é meu Filho amado, em quem Me comprazo”(Mt 3;17 – 17:5); mas está benção marca uma nova e mais elevada fase do Trabalho do Cristo. No Batismo, quando a Voz falou sobre o Jordão, as palavras foram para a multidão. Aqui, sobre o Monte da Transfiguração, a Voz fala para os três mais avançados discípulos, aqueles que estavam prontos para a visão cósmica e para o serviço cósmico. Desta Transfiguração, o Cristo foi para o Getsemani e para a consumação de Seu trabalho na Terra.


