A PARÁBOLA DA REDE
A PARÁBOLA DA REDE
“Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, que recolhe toda a qualidade de peixe. E estando cheia, os pescadores arrastam-na para a praia, sentam-se e juntam os peixes bons nas cestas, e jogam fora os maus. Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos e separarão os maus dentre os justos. E lançá-los-ão na fornalha de fogo, ali haverá pranto e ranger dos dentes. E disse-lhes Cristo Jesus: “Entendestes todas estas coisas?” Disseram-lhe eles: “Sim, Senhor”. E Cristo Jesus disse-lhes: “Por isso, todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas” (Mateus: 13:47 a 52).
A palavra “rede” usada frequentemente nos Evangelhos como um meio de apanhar “peixe” simboliza os corpos superiores (principalmente o Corpo de Desejos) que formam a parte invisível, mas extremamente importante no desempenho das funções complexas do organismo humano e que conduz ao Ego (o Espírito interior) as experiências (peixes) que são transmutadas em alma ou alimento para o Espírito.
Como está estabelecido no Conceito Rosacruz do Cosmos, o ser humano é Tríplice Espírito, possuindo uma Mente por meio da qual governa um Tríplice Corpo, que ele emanou de si mesmo para ganhar experiência. Transmuta o Tríplice Corpo em Tríplice Alma, por meio do qual ele se alimenta passando da impotência à onipotência.
O “mar” representa o Mundo do Desejo, que interpenetra a Terra e se estende além da sua superfície e com o qual cada pessoa tem contato por meio do seu próprio Corpo de Desejos individual.
Quando a “rede" fica cheia, isto é, quando no fim de uma vida terrestre o Corpo de Desejos fica cheio de experiências, o corpo físico é abandonado. Começa então, um período de separação, “juntando os bons num cesto e lançando os maus ao mar”. Vem, inicialmente, a experiência purgatorial, como Max Heindel nos ensina em sua obra básica.
Há duas atividades distintas no Purgatório. Primeiro, há a erradicação dos maus hábitos. Por exemplo, o beberrão (aqueles que abusaram indiscriminadamente do álcool) continua a desejar a bebida da mesma maneira que desejava antes de morrer, mas agora não tendo aparelho digestivo que possa (metabolizar o álcool) conter o álcool. De forma que, embora possa frequentar todos os lugares onde (é possível beber) se bebe ou possa meter-se num barril de vinho penetrando no líquido, não conseguirá se satisfizer (como antes, enquanto encarnado, poderia). Não se produzem os vapores que são produzidos quando tem lugar a combustão no estômago. Ele sofre, assim, todas as torturas de Tântalo*.
Mas, como o desejo neste mundo morre quando verificamos que ele não pode ser gratificado, com o tempo o beberrão fica curado do seu desejo de beber, porque ele não pode ingerir a bebida, e assim, no próximo renascimento nasce inocente deste vício. Todavia, ele deve sobrepor-se ao vício “conscientemente”, e assim, em certa ocasião, vem à (essa tentação de beber) tentação para prová-lo. Dependerá de ele sucumbir ou sobrepor-se a essa tentação. Se ceder a tentação, peca novamente e de novo deverá ser purgado, até que por fim, as penas acumuladas nas repetidas existências purgatoriais, farão com que despreze a bebida. Então, ele se sobreporá conscientemente à tentação e não mais terá sofrimentos provenientes desta fonte.
Nas experiências seguintes, no mundo celeste, os bons desejos e atos de desprendimento constituem a base dos sentimentos e desejos amalgamados no Ego pelas forças alquímicas espirituais geradas durante as experiências no Primeiro Céu que transformam essas experiências em faculdades utilizáveis em futuras encarnações.
Desta maneira, Cristo Jesus descreveu-nos a Religião da Nova Idade ou Era; a religião que ajudará o ser humano a se tornar um ser novo e superior!
* A mitologia grega é repleta de mitos e metáforas. O suplício de Tântalo é uma bela alegoria que nos ensina sobre a dor e o sofrimento de quem deseja algo; que busca atingir algum objetivo e, por pouco, não consegue alcançar a meta almejada. Fala sobre a vaidade humana e a sua tola pretensão de ser e ter mais.
Publicada na Revista Serviço Rosacruz de 1958 – Fraternidade Rosacruz - SP


