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EM BUSCA DA VERDADE

Conta uma antiga lenda, que a verdade estava certo dia se banhando num rio. Apareceu, então, a mentira que, sorrateiramente, despiu-se, deixou sua roupa ali nas proximidades, vestiu a da verdade e foi embora. A verdade, saindo do banho, viu os trajes da mentira, mas recusou-se a vesti-los. Dirigiu-se, nua, à cidade, e lá tentaram apedrejá-la. Amedrontada, retornou ao rio e vestiu a roupa da mentira. Desde então, anda pelo mundo disfarçada de mentira e está camuflada da verdade.

O que é a Verdade? Cristo disse: “A Verdade vos libertará”. Sabendo do ilusório que nos envolvemos na questão da verdade, Cristo disse em João 18, 37: “Para isso eu nasci, para isso vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade, ouve a minha voz”.

Será que a Verdade é o que vemos com os nossos olhos físicos? O que sentimos? O que ouvimos? Será que são as nossas posses, nossos recursos: intelectuais, emocionais ou sentimentais? Não. Essas coisas são muito limitadas para ser a verdade.

Essas explicações e outras que são demonstráveis material e concretamente e que tencionam explicar tudo sobre o Ser Humano e o seu meio só satisfazem o intelecto, a Mente, pequena parte do todo e, por somente satisfazer tal parte, logo, por desespero, cai-se em: orgulho intelectual, intolerância e impaciência, se se insiste em tentar romper as limitações e restrições inerentes nessa parte intelectual.

Agora, para uma pessoa que um dia parou para pensar e chegou à brilhante conclusão que não sabe nada sobre o assunto – o que é a Verdade – e, portanto, já começou a compreender a sua ignorância e sente internamente, que algo maior existe e aspira conhecer a Verdade, mesmo sabendo a dificuldade para alcançar apenas com os próprios meios.

Esse “sentir internamente” não é nada mais, nada menos do que o Coração aspirando por esclarecimentos mais profundos. E é aqui que se sente a profundeza do propósito dos Ensinamentos Rosacruzes.

Afinal, é de suprema importância para todo o Ser Humano que tem a fortuna – ou outro nome que se dê – em possuir uma Mente esquadrinhadora receber todas as informações que deseje, a fim de que o “Coração possa falar quando a Cabeça esteja satisfeita”.

Daqui, já podemos deduzir que o conhecimento intelectual é um meio para se chegar a um fim e não o fim em si mesmo. Quantas vezes estamos trabalhando afincamente para resolver um problema e por mais que façamos não conseguimos chegar à conclusão alguma. Então, um belo dia, quando menos se espera, um fio de intuição nos dá a solução que satisfaz todos os requisitos. Nesse momento, nos salta a frente o dito popular: “O Coração tem razões que a própria razão desconhece”.

Mas podemos entender essa “razão” do Coração. Vamos lá; com certeza afirmamos: todo ato motivado por uma pura intuição raramente deixa de produzir um resultado positivo

Mas, o que é a intuição? Quanto de Verdade ela sempre nos traz? Sem dúvida, ela nos traz um pouco da Verdade, senão a intuição falharia.

Para tentarmos entender isso, vamos esclarecer o que é a Memória. Podemos dividir nossa Memória em três partes distintas:

  • Memória Consciente
  • Memória Subconsciente
  • Memória Supra-consciente

A nossa Memória Consciente, também conhecida como memória voluntária, está relacionada com as experiências dessa vida e, basicamente, é formada pelas ilusórias e imperfeitas percepções dos nossos 5 sentidos físicos, manifestações do nosso Corpo Físico (ou Denso) utilizados para transferir impressões para a nossa Personalidade.

Quando pensamos estamos trabalhando na Região Abstrata do Mundo do Pensamento.

Estamos criando a idéia. Logo essa idéia toma uma forma mental, e passa a ser um pensamento-forma. Aqui, já estamos trabalhando na Região Concreta do Mundo do Pensamento. Imbuindo esse pensamento-forma de desejos, utilizando o nosso Corpo de Desejos, podemos dar curso a ação de colocar essa idéia em prática. Então vitalizamos um (ou mais) dos nossos 5 sentidos através da força do nosso Corpo Vital e colocamos em prática utilizando os 5 sentidos do nosso Corpo Denso.

Sempre que olhamos ao nosso redor, podemos perceber certas coisas por meio dos sentidos. Essas impressões são gravadas nas células do nosso cérebro e somos capazes de recordá-las conscientemente. No entanto, tais recordações são imperfeitas devido aos nossos sentidos possuírem imperfeições e também devido ao mau desenvolvimento da nossa capacidade de observação. É essa memória que temos acesso instantâneo.

Já a Memória Subconsciente, também conhecida como Memória Involuntária, tem em certo sentido, como veículo, o sangue. Tentemos entender o porque: tudo em nossa volta está impregnado pelos 4 éteres que compõe a Região Etérica do nosso Mundo Físico. O ar está impregnado pelos 4 éteres. Estamos continuamente respirando ar, portanto, respirando também os 4 éteres, especialmente o Éter Refletor. E é esse Éter Refletor que nos traz uma imagem fidedigna, com os mais profundos e mínimos detalhes de tudo que está a nossa volta:

  • a cena física
  • a vitalidade da situação
  • a emoção do momento
  • a emanação espiritual do instante

E, junto com o ar inspirado, chega aos nossos pulmões. E tudo isso é absorvido nos pulmões, pelo nosso sangue no processo físico conhecido como oxigenação. Dos pulmões, através das 4 veias pulmonares, tudo isso, agora tendo como veículo o sangue, chega até a aurícula esquerda do nosso coração. E dessa Aurícula passa através da válvula Mitral, e tudo isso, com o sangue, chega até o Ventrículo Esquerdo do nosso coração. Bem no ápice desse ventrículo esquerdo está localizado o Átomo-semente do nosso Corpo Denso. Assim, o sangue, com tudo aquilo impregnado, ao passar por esse Ápice, deixa gravado nesse Átomo-semente toda:

  • cena física
  • vitalidade da situação
  • emoção do momento
  • emanação espiritual do instante

Portanto, o nosso Átomo-semente do Corpo Denso contém as recordações de toda nossa vida, nos seus mais profundos e mínimos detalhes. Essa é a nossa Memória Subconsciente, base da nossa existência nos mundos espirituais após a morte. Essa memória está fora do nosso controle. Não podemos acessá-la quando queremos.

Por fim, temos a Memória Supra-consciente. Essa nossa Memória, simplesmente, contém todas as faculdades e conhecimentos adquiridos em todas as nossas vidas anteriores. E essas faculdades e esses conhecimentos estão fielmente gravados no nosso veículo Espírito de Vida. Lembremos que o Espírito de Vida é a contraparte superior do nosso Corpo Vital. E que esse nosso veículo Espírito de Vida tem seu assento secundário no nosso coração. Ou seja: está em estreito contato com o nosso coração. E que esse nosso veículo Espírito de Vida é aquele que retrata o espírito do amor, da fraternidade, da unidade de nós com todos. Por isso é que o coração é o foco do amor altruísta. Quando funcionamos no Mundo do Espírito de Vida, com esse nosso veículo, entendemos do porque esse Mundo é o primeiro Mundo, de baixo para cima, onde cessa toda a separatividade e é onde se encontra a Verdadeira Memória da Natureza. Logicamente, nós vemos mais claramente nesse Mundo quando utilizamos o nosso não desenvolvido ainda, veículo Espírito de Vida. Por isso, que quando trazemos de lá as recordações gravadas na Memória da Natureza, não conseguimos imprimi-las no cérebro, na área referente aos nossos sentidos físicos. O máximo que atualmente conseguimos é imprimi-las, via Éter Refletor, no nosso Coração. E esse Éter Refletor leva ao cérebro essa impressão trazida do Mundo do Espírito de Vida, através do nervo pneumogástrico. Ou seja: quando estamos com algum problema aparentemente insolúvel, podemos procurar tal solução no Mundo do Espírito de Vida. Ao encontrá-la, enviamos a solução ao Coração como orientação e iniciativa imprimindo no Éter Refletor e, que através do nervo pneumogástrico, leva até ao cérebro. É essa a formação do impulso emanado diretamente da fonte da sabedoria e do amor cósmico. É essa a origem da intuição. O processo é rapidíssimo. O Coração elabora esse processo muito antes da Mente, mais lenta, poder considerar a situação. Normalmente, esse impulso atua como consciência e caráter ou ainda compele a ação com uma força tão grande que chega até a contradizer a Mente e o desejo.

Perceba, que para compelir a ação, esse impulso não precisa se envolver em matéria Mental ou de Desejos como ocorre com as nossas idéias, produtos das nossas impressões sobre o mundo.

Pena que na maioria dos casos, após esse rapidíssimo e verdadeiro impulso intuitivo, vem o nosso raciocínio e o nosso cérebro e acaba dominando o nosso Coração.

Em outras palavras: a nossa Mente e o nosso Corpo de Desejos frustam o nosso verdadeiro objetivo e os nossos corpos sofrem as conseqüências. É certo que a Mente é o instrumento mais importante que nós possuímos e é o nosso instrumento especial no trabalho da criação. O problema é que estando a Mente ligada a natureza dos nossos desejos (parte inferior do Corpo de Desejos), nos traz grande tormento, pois se torna por definição egoísta, sectária e limitada.

Por outro lado, conhecemos a força do coração na fé do Místico, aquele que busca Deus através da fé. Mas também não podemos menosprezar a razão, onde a Mente predomina, onde o Ocultista busca Deus com a ajuda do conhecimento. Vê daqui que tanto a fé como conhecimento são meios para se chegar a um fim comum: chegar a Deus.

Ou ainda: nem fé (místico), nem conhecimento (ocultista) representam um fim em si mesmo.

É como lemos na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (13,2): “Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tamanha fé (...) se não tiver amor, nada serei”.

Vemos, então que a união entre cabeça e coração abrirá o caminho para a verdade. E essa união se dará dentro de cada um de nós com o desenvolvimento do nosso Cristo Interno.

Afinal Cristo disse: “Eu sou a caminho, a Verdade e a vida” Essa união constitui os Ensinamentos Rosacruzes, ou seja: fazer com que o coração e a Mente se unam para equilibrar a fé com as ações.

Quando as perguntas da Mente são respondidas, o coração está livre para amar. E, ajudada pela intuição, a Mente pode penetrar nos mistérios do ser. Pois quando o coração se unir a Mente, ele se tornará mais forte, e a Mente o defenderá do erro. E, assim, ambos satisfarão suas aspirações.

É esse equilíbrio que é fundamental para chegarmos a um conhecimento mais elevado e verdadeiro de cada um de nós e, portanto, de todo o mundo. E é com esse equilíbrio que vamos encontrar a Verdade que cada um de nós vai compreender. Esse equilíbrio nos remete a definir como entender a Verdade, pois, com ele podemos dizer o que é a Verdade, senão buscar viver a vida superior.

Despojar do nosso egoísmo e viver o bem pelo simples prazer de fazer o bem. Se achamos difícil, mas não desistimos é porque já estamos pertos de conseguir o objetivo, pois isso mostra que já compreendemos a luta interna entre o nosso eu superior e o nosso eu inferior.

Chegamos a importante conclusão que a Verdade não pode ser encontrada aqui no Mundo dos Fenômenos, o Mundo dos Efeitos, onde vivemos imersos em ilusões e percepções imperfeitas. Devemos buscar a Verdade nos Mundos das Causas, nos Mundos Suprafísicos.

Só isso nos dá coragem e coloca todas as nossas limitações de lado, pois essas limitações têm a ver com a nossa existência aqui no Mundo Físico e não nos Mundos Suprafísicos.

E, assim como um verdadeiro Aspirante a Vida Superior, estamos prontos a buscar a Verdade, mas a Verdade eterna e estamos conscientes de que como ela é eterna, eterna também será a sua busca!

                                                                                             QUE AS ROSAS FLORESÇAM EM VOSSA CRUZ