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BABILÔNIA E NOVA JERUSALÉM

BABILÔNIA E NOVA JERUSALÉM

Lemos na Bíblia que havia duas cidades muito parecidas, mas completamente opostas. Uma era a cidade de Babilônia, o berço da confusão, de onde os seres humanos deixaram de se considerar irmãos e se separaram uns do outros. Estava localizada sobre sete colinas. Entre essas sete colinas passava um rio. Essa cidade era governada por um rei. Seu nome: Lúcifer, o lucífero, filho da manhã, a “estrela do dia”, o dador de luz. Então, Lúcifer era o rei de Babel-On (a Porta do Sol). Ali a humanidade cessou de atuar como uma só nação e separou-se em nações guerreiras. Babilônia é a semente de todas as enfermidades que se possa imaginar.

Em Isaías, cap. 13 e 14 lemos a queda da cidade de Babilônia: “A Babilônia, pérola dos reinos, glória e orgulho dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, destruídas por Deus”.

Babilônia havia se convertido em uma abominação, e a chamavam de prostituta, provocando guerras, perturbações e desolações em todos os povos da Terra. Isaías, 14: “O Senhor quebrou a vara dos perversos e o bastão dos dominadores que feria os povos com furor com golpes incessantes, que dominava com cólera as nações perseguindo-as implacavelmente”.

De um lado totalmente oposto, temos outra cidade, chamada Nova Jerusalém, uma outra “Luz do Mundo”, um “Brilhante Luzeiro da Manhã”, a chamada Noiva. Também está sobre sete colinas. Mas não há nenhum rio fluente, e sim um Mar de Cristal. Tem como rei um outro dador de luz. É a cidade da paz, cujas portas nunca se fecham. Dentro dela está a Árvore da Vida. Não existe noite e nem iluminação externa. A luz é interior. Essa cidade não é uma cidade desse mundo, mas sim uma cidade que veio do céu. Em Apocalipse 21, 2 lemos: “Vi a cidade santa, a Nova Jerusalém, que descida céu do lado de Deus, ornada como uma esposa se enfeita para o esposo”.

Que significa a existência dessas duas cidades? Supondo ter existido Babilônia, não terá sido como foi descrita literalmente. Já Nova Jerusalém é contrária a todas as leis da natureza. Assim, as duas cidades são simbólicas.

Para entender essa simbologia, vamos retroceder até a um longínquo passado, quando o ser humano não havia alcançado o desenvolvimento que alcançou atualmente.

Quando nós, como Espíritos Virginais, entramos no Período Terrestre, o quarto período do nosso esquema evolutivo, começou o trabalho de união entre o Ego e o Tríplice Corpo. O objetivo desse trabalho foi modificar os Corpos para serem interpenetrados pela Mente, o veículo mais novo que hoje possuímos.

No Corpo Denso começamos a construir a testa, para abrigar o cérebro, e seus dois Hemisférios, e dividir o Sistema Nervoso em Voluntário e Involuntário, criando a Medula Espinhal. Perceba que só com um Sistema Nervoso Voluntário é que podemos ter meios de estimular nosso Corpo Denso a fazer movimentos orientados por nós e não somente por impulsos externos.

No Corpo Vital, as modificações foram feitas para que esse continuasse com a forma do Corpo Denso, criando, assim, cérebro vital e Sistema Nervoso Voluntário e Involuntário vital. Também, o ponto da raiz do nariz da parte etérica e da parte física foram colocados na mesma posição relativa.

No Corpo de Desejos foi efetuada uma divisão em duas partes: uma Superior e outra Inferior.

Com isso, as Hierarquias Criadoras, as que auxiliavam-nos nas modificações e aquisições de novas ferramentas para utilização nesse Mundo Físico puderam nos dar as seguintes orientações:

  • Os Senhores da Mente (Sagitário) cuidaram da parte superior do Corpo de Desejos, estimulando-nos a gerar desejos e emoções altruístas, superiores;
  • Os Senhores da Mente (Sagitário), também, nos deram o germe da Mente, da Mente;
  • Os Arcanjos foram ativos na parte inferior do Corpo de Desejos, dando-nos possibilidade de termos desejos e emoções inferiores;
  • Foi feita a divisão dos sexos. Metade da força sexual criadora foi utilizada para construirmos o cérebro e a laringe, órgãos indispensáveis para criar e expressar-se no Mundo Físico.

Estava criada a base para a expressão individual. E com as modificações atmosféricas da Época Atlante, o ser humano pode ver os objetos da Região Química do Mundo Físico com claridade e nitidez. Como diz a Bíblia: “Eles olharam-se, seus olhos foram abertos e viram que estavam nus”.

Foi daí por diante que o ser humano pode guiar a si mesmo, aprendendo a ser independente, assumindo responsabilidade por seus próprios atos. Os seres humanos eram infantis no Mundo Físico. A nossa consciência está toda voltada para os Mundos Espirituais.

Como em toda onda de vida, também na onda de vida dos Anjos, houve seres atrasados. A esses seres conhecemos como Anjos Caídos ou Anjos Lucíferos ou, ainda, Espíritos Lucíferos, ou, simplesmente, Lucíferes. Estes estavam numa situação estranha. Os Anjos não necessitam de cérebro para adquirir conhecimento e, portanto, não havia necessidade de construir um. O ser humano necessita e sabe construir um. Os Anjos Lucíferos necessitam, mas não sabem construir um.

Quando os Anjos Lucíferos viram que o ser humano desenvolveu um cérebro e a medula espinhal, eles viram uma oportunidade de evoluir ajudando o ser humano a focar a sua consciência na Região Química do Mundo Físico.

Através da mulher, que expressa o pólo negativo da força criadora, a imaginação, eles conseguiram ajudá-la a entender que o ser humano possuía um Corpo Físico, que o Mundo Físico era também realidade, que podia aprender muito aqui, e que, podia comer da Árvore do Conhecimento. A mulher ajudou o homem a entender isso também e, desde então, os seus olhos se abriram e conheceram o bem e o mal.

Então, os Lucíferos apareceram como Dadores de Luz, aquele que mostrou o caminho do conhecimento. Incitaram o ser humano a tomar em suas mãos o domínio do uso da força sexual criadora. Incitaram o ser humano a exercitar o egoísmo, a ambição, o abuso da força criadora e a conhecer a morte. Criaram um ponto de contato -- que eles tanto necessitavam para seu desenvolvimento. Esse ponto é o Lado Esquerdo, ou o Hemisfério Esquerdo, do nosso cérebro. Esse lado tende para o egoísmo. Aí está assentado os Anjos Lucíferos, aí está a cidade da Babilônia.

Como lemos em Apocalipse 17, 4: “A mulher se vestia de púrpura e escarlate, estava adornada de ouro e pedras preciosas e pérolas (...). Na fronte trazia escrito um nome: ‘Babilônia, a grande, mãe das prostitutas e das abominações da terra’”. E as “sete colinas (ou montes) sobre as quais a mulher (ou a prostituta) está sentada” (Apocalipse, 17,9) são os sete lugares de observação localizados na cabeça: os dois ouvidos, as duas fossas nasais, a boca e os dois olhos.

Sobre esses lugares se apóia o cérebro, donde o “Dador de Luz”, a razão, o raciocínio, o intelecto, governa o pequeno mundo, o microcosmo, os veículos dos Seres Humanos.

Aliás, os dez veículos que nós possuímos: o Tríplice Espirito, a Tríplice Alma, o Tríplice Corpo e a Mente que os une, são os dez cornos da besta que João fala em Apocalipse 17,12: “Os dez chifres que vês são dez reis, que ainda não receberam a realeza, mas com a besta receberão poder de reis por uma hora. Eles, de comum acordo, emprestarão à besta seu poder e autoridade”.

Os Espíritos Lucíferos nos ajudaram a enfocar a nossa consciência no Mundo Físico e conquistá-lo, mas com isso sofremos e ficamos sujeitos a tristeza, a dor e a morte.

Agora está na hora de voltar. Como na parábola do Filho Pródigo.

Devemos nos livrar desse caminho de sofrimento, de dor, de tristeza. Mas como, se só sabemos conhecer algo através do raciocínio, da razão, da utilização do Hemisfério Esquerdo do nosso cérebro?

Aqui é nos dado outro meio de adquirir o conhecimento. É através da Intuição, que quer dizer, conhecimento interno. É uma faculdade espiritual, igualmente presente em todos nós, mas mais proeminente no ser humano feminino.

Sabemos que utilizamos muito pouco o Hemisfério Direito do nosso cérebro. Também sabemos que o coração está se movendo lentamente da esquerda para a direita. E também que se trata de um órgão que possui fibras musculares cruzadas, tipo este que está sob o controle da nossa vontade. Entretanto, não podemos controlá-lo. Ainda...

Aos poucos, com as nossas ações altruísticas, de serviço, de amor desinteressado, de Fraternidade Universal, de utilização apropriada da força sexual criadora estamos construindo mais fibras cruzadas no coração de modo que, a devido tempo, poderemos controlá-lo.

Quando isso ocorrer, poderemos recusar enviar o sangue para o Hemisfério Esquerdo de nosso cérebro, a Babilônia e a cidade de Lúcifer cairá.

Então, poderemos enviar o sangue para o Hemisfério Direito do cérebro teremos construído a Nova Jerusalém, a cidade da Paz (Jer-u-Salem -- ali haverá paz).

Concomitante a isso, nosso Corpo Físico se fará mais sutil, mais próximo de se fundir ao Corpo Vital, formado de éteres. Isso faz parte da preparação para entrada na nova época que se aproxima, a Época Nova Galiléia, onde termos outro novo veículo, o Corpo-Alma, formado de éteres e construído através da quinta essência de nosso serviço amoroso e desinteressado.

Tais corpos não se cansarão nunca. Portanto, não existirão noites (Ap.21,25 “Não existe noite”). As doze portas para o assento da consciência, que são os doze nervos cranianos, nunca estarão fechadas (Ap.21,25 “As portas nunca se fecharão”).

Nova Jerusalém será formada de Éter Luminoso e deixará transluzir a luz solar. (Ap.21,23 “A cidade não tem necessidade de sol nem de lua que a ilumine”).

O amor será altruísta e a razão aprovará seus ditames. Cada um trabalhará para o bem de todos. A Fraternidade Universal abarcará todos os seres, unidos pelo amor e guiados por Cristo que terá retornado (Ap. 22,4 “Os seus servos o servirão e verão a sua face e trarão seu nome nas fontes”).

Não haverá morte porque a Árvore da Vida, a faculdade de gerar a força vital, estará lá e se fará possível para todos.

Para que tudo isso ocorra, temos que trabalhar muito, com o objetivo sempre voltado para “frente e para cima” através do nosso serviço amoroso e desinteressado para com os outros. O objetivo, agora, não é mais a conquista do Mundo Físico, mas a volta para a casa do Pai, onde seremos colaboradores conscientes do seu maravilhoso Plano de Evolução.

Mas, como disse São Paulo: “devemos formar o Cristo dentro de nós”. Caso contrário, não estaremos prontos para a sua segunda vinda.

Como disse Ângelus Silésius:

“Ainda que Cristo nasça mil vezes em Belém,

Se não nasce dentro de ti, tua alma seguirá extraviada.

Buscará em vão a cruz do Gólgota,

Enquanto ela não se levantar dentro de ti mesmo.”

QUE AS ROSAS FLORESÇAM EM VOSSA CRUZ