Capítulo II - A Bíblia: O Maravilhoso Livro das Épocas- Corinne Heline
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Capítulo II

Jacob e Moisés – Filhos iniciados da sabedoria antiga
O poder escondido do fruto da videira era reconhecido pelos primeiros Padres. Pode-se concluir que eles tinham esse conhecimento a partir do estudo dos escritos de Justino Mártir: “A palavra sangue da uva foi usada com o propósito de expressar que o sangue de Cristo não era proveniente da semente humana, mas do poder de Deus. O homem não produz o sangue da videira, somente Deus o produz. Está passagem anuncia que o sangue de Cristo não era de origem humana, mas do poder de Deus. Por isso essa profecia revela que Cristo não é um homem, engendrado do homem, segundo as leis comuns dos homens”.
Um historiador eclesiástico do século quarto também realiza um comentário desta passagem: “... Os homens são redimidos pelo sangue da uva que é espiritual e em que Deus mora”.
Conclui-se que a partir dessas declarações, aquilo que é referido como “o sangue da uva” possui um grande significado. Esse sangue refere-se à purificação e a transmutação do sangue comum. Cristo disse a seus discípulos: “Eu sou a videira, vocês são os ramos”. Por meio do pão e do vinho, um verdadeiro aspirante pode vibrar em uma sintonia mais perfeita e mais próxima de Cristo. Além disso, pode tanto desenvolver como manifestar os poderes Crísticos dentro de si mesmo.
Tanto Justino Mártir como Clemente de Alexandria afirmam que foi Cristo que apareceu a Jacob em um sonho. Neste sonho, ele viu uma escada que se estendia da Terra até o céu, com os anjos do Senhor, subindo e descendo por ela. Acima dessa escada, estava o Senhor, que disse: “Eu dou o Senhor Deus de Abraão, teu pai e Deus de Isaac” (Gênesis, 28:13). Cipriano, citado em Gênesis 35:1 escreve: “... Acreditando, como todos os Padres acreditaram que foi Cristo o Deus que falou e apareceu a Jacob quando este fugia de Essau”.
Conforme mencionado no terceiro volume de nosso livro A Interpretação da Bíblia para a Nova Era, os Mestres iluminados ao longo das eras têm ensinado seus discípulos sobre o trabalho das Escolas de Mistérios, sendo que suas várias formas de Iniciações não eram senão passos preparatórios para a vinda de um Mestre Supremo do Mundo, o Senhor Cristo. Esta afirmação se mantém verdadeira em relação aos mestres profetas da Dispensação do Antigo Testamento. Os mestres e seus seguidores estavam preparando-se para que, mais tarde, pudessem servir a Cristo. Em seus Sonhos, era ensinado a Jacob ler na Memória da Natureza. Ali, ele viu a escada de involução e evolução que se estendia desde o céu até a Terra, com multidões de espíritos que descendiam para reencarnarem e ascenderem para céu depois que as lições da Terra tinham sido aprendidas.
Durante muito tempo, o Caminho do Discipulado tem permanecido similar. Os aspirantes devem enfrentar e superar provas e percorrerem caminhos semelhantes. Há apenas mudanças particulares no curso de épocas sucessivas. O caminho iniciático é descrito com excepcional precisão e fidelidade na vida de Jacob. Gênesis 32:24 registra que quando Jacob foi deixado sozinho “lutou com ele um homem, até que a alva subiu”. Ao final deste incidente, ficou claro que foi Aquele que prevaleceu sobre Jacob, o novo nome de Israel, que significa aquele que preserva. “Porque”, disse Ele, “como um príncipe tem lutado com Deus e com os Homens”. A experiência aqui relatada é de profundo significado. Que o Senhor Cristo foi o Mestre e Guardião de Jacob, conforme relatado por Justino Mártir, Clemente de Alexandria e Ireneo.
A experiência de Jacob de lutar durante toda a noite com o anjo e não permitir que ele fosse embora, antes de receber uma benção, é bem conhecida na Senda do Discipulado. Os Poderes Espirituais latentes em cada aspirante tornam-se suficientemente vibrantes que logo se tornam evidentes em sua vida. “Deixe que Cristo seja formado em você” foi à séria exortação de São Paulo aos seus discípulos. Isto é um requisito necessário antes que alguém possa se tornar um pioneiro da Dispensação de Cristo.
Jacob levou esse requisito a cabo em sua vida. Ele abandonou para sempre Essau (a natureza inferior). Em concordância com essa mudança interna, ele não mais era chamado de Jacob, mas sim de Israel, um nome que também significa “aquele vê a Deus”. Jacob agora era um herói conquistador e um dedicado servo. Ele estava qualificado para se tornar um trabalhador no vinhedo do Senhor Cristo, que declarou: “Aquele que quiser ser o maior entre vós seja o servo de todos”.
Novamente ao verso do Gênesis que diz: “Jacob foi deixado sozinho e lutou com ele um homem”, Orígenes escreve: “Quem mais pode ser do que Aquele que é chamado de homem e Deus, que lutou e argumentou com Jacob, aquele que falava em diferentes ocasiões e de diversas maneiras com o Pai (Heb 1:1). A Palavra sagrada que é chamada Senhor e Deus, que também abençoou Jacob e chamou a ele de Israel, dizendo: “Tu tem prevalecido com Deus.” Foi assim que os homens daqueles dias mantiveram a Palavra de Deus, como nossos apóstolos disseram: “O que era desde o princípio, o que ouvimos o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida” (1 João. 1:1) cuja Palavra da Vida Jacob também viu e acrescentou: “Eu vi Deus face a face”.
Passada tal experiência fragorosa, que terminou com a vitória de Jacob, este ascendeu para Betel, onde construiu um altar e dedicou sua vida a Deus. Muitos que passaram por está experiência exaltadora possuem a consciência da presença de Cristo e do derramamento de Sua terna benção sobre seus discípulos valentes. Betel significa “a casa de Deus” e é como um candidato vitorioso que realiza completa dedicação.
Hipólito, um escritor eclesiástico do terceiro século e pupilo de Ireneo, pronunciou a seguinte declaração com referência a Cristo, em relação à profecia de Jacob (Gênesis 49:9) e também do Livro do Apocalipse (5:5): “Agora, uma vez que o Senhor Jesus Cristo, que é Deus, por causa da realeza e glória, foi descrito, antes, como um leão”.


